'Vamos ao jogo da vida'
Por mais de 13 anos, José Alencar travou uma dura luta contra o câncer. Só nos últimos quatro anos, foram 13 cirurgias, que o ex-vice-presidente encarou com confiança ("estou acostumado a montar em cavalo bravo"), bom humor ("estamos espantando o câncer no tiro") e serenidade ("vamos ao jogo da vida"). Tal recorrência de internações e procedimentos clínicos comoveu o país e acabou fazendo de Alencar um exemplo de perseverança e espírito de luta.
Empresário bem-sucedido do ramo têxtil, José Alencar Gomes da Silva nasceu em Muriaé (MG), em 17 de outubro de 1931. Foi um autêntico self-made man. Décimo primeiro filho de uma família humilde de quinze irmãos, saiu cedo de casa e começou a trabalhar aos 14 anos como balconista numa loja de tecidos, na Zona da Mata mineira. Nessa época, o dinheiro era tão curto que Alencar não tinha como pagar um quarto de pensão - alugava, então, uma cama no corredor do pensionato. Nas décadas seguintes, construiria um império têxtil, com fábricas em vários estados brasileiros e no exterior.
Só assumiu um cargo público aos 67 anos, em 1999, eleito senador por Minas. Bancou quase 100% das despesas de campanha: foram 3,8 milhões de reais. O grande salto político viria em 2002, quando, por um acordo inusitado, compôs chapa à Presidência com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. O recado pretendido era claro: a união entre o empresário e o ex-operário, o capital e o trabalho. O acordo assegurou ao PT mais um minuto e 24 segundos de propaganda eleitoral na TV - além do apoio posterior de uma bancada de 22 deputados federais e um senador.
Império têxtil - Os primeiros passos do megaempresário José Alencar foram dados atrás de um balcão, em uma loja de tecidos na cidade natal de Muriaé, em 1946. Ele tinha então 14 anos e, com o apelido de “Zé Kaquim”, fez fama como vendedor. Aos 18 anos, com um empréstimo do irmão Geraldo Gomes da Silva, abriu seu primeiro negócio, um pequeno armarinho em Caratinga, na zona da mata. Começava aí sua história de sucesso.
Em 1960, assumiu em Ubá a direção da tecelagem União dos Cometas. Não demorou para tornar-se presidente da Associação Comercial local, posição em que apoiou o golpe militar de 1964. A fortuna viria na década seguinte. Conseguiu, nessa ocasião, seu primeiro financiamento da Superintendência para o Desenvolvimento do Sudeste (Sudene), para instalar uma fábrica de tecidos no norte de Minas. A Coteminas foi classificada na faixa de prioridade “A”: a categoria obrigava o órgão a investir no negócio três vezes mais do que os seus donos.
Após a eleição, em 2002, o comando da empresa trocou de mãos. No lugar do self-made man José Alencar, assumiu a presidência seu filho, Josué Christiano Gomes da Silva, então com 38 anos. Homem de educação refinada, Josué foi um aluno brilhante: concluiu entre os primeiros da classe os cursos de direito e engenharia, além do MBA da Universidade Vanderbilt, no Tennessee.
A Coteminas é dona de marcas como Artex, Santista, Calfat e Garcia. Em outubro de 2005, anunciou uma associação com a Springs, com sede nos Estados Unidos, a maior indústria americana no setor de cama, mesa e banho. A união resultou na formação da maior companhia do setor no mundo, batizada de Springs Global, com 25.000 funcionários, 36 fábricas e faturamento de 2,4 bilhões de dólares.
Família - Alencar deixa a mulher, Mariza, os filhos Josué Christiano, Patrícia e Maria da Graça, além de netos. Conforme decisão da Justiça – de primeira instância -, deixa também Rosemary de Morais, professora aposentada de 55 anos, que em 2001 entrou em 2001 com um pedido de reconhecimento de paternidade. Alencar se negou a fazer o teste de DNA, mas teve a paternidade presumida em 2010, de acordo com uma lei promulgada pelo próprio governo do qual foi vice-presidente.
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